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Claúdio Salles

Claúdio Salles

Publicado na DILEMAS - Revista de Estudos de Conflitos e Controle Social - https://www.reflexpandemia.org/texto-98 disponibilizamos aqui o artigo "Sujeição sanitária e cidadania vertical: Analogias entre as políticas públicas de extermínio na segurança pública e na saúde pública no Brasil de hoje", escrito pelo antropólogo e coordenador do INCT/INEAC Roberto Kant de Lima (UFF/UVA) e o Sociólogo Marcelo da Silveira Campos (UFGD e INCT/INEAC).

Para ler o artigo faça download do PDF anexo abaixo.

 

No dia em que a segunda turma do STF julga a manutenção da publicidade das informações escabrosas sobre os escândalos processuais e as relações mais do que promíscuas da lava jato com o então juiz Sérgio Moro, o professor Jorge Alexandre Neves recebe o antropólogo Daniel Simião (INCT/INEAC - UNB) para  discutir a cultura jurídica e a dominação estamental, no Brasil. 

Para assistir acesse o link https://www.youtube.com/watch?v=ZEkBtYb-47w&feature=youtu.be

Daniel Schroeter Simião é Doutor em Antropologia Social pela Universidade de Brasília e mestre em Antropologia Social pela UNICAMP, é atualmente professor adjunto do Departamento de Antropologia da Universidade de Brasília (UnB), onde atua na graduação em ciências sociais e no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social. Realiza pesquisas nas áreas de antropologia urbana, gênero, antropologia do direito e da política, possuindo diversos artigos publicados nas áreas, uma coletânea organizada, além de diversos capítulos de livros no Brasil e no exterior. Integra o Instituto de Estudos Comparados em Administração Institucional de Conflitos (INCT/InEAC) e mantém colaboração com o Núcleo de Estudos de Populações Tradicionais e Quilombolas (NuQ) da Universidade Federal  de Minas Gerais.

Reproduzimos aqui no site o artigo "Agronegócios, desmatamentos e povos tradicionais no Baixo Amazonas", escrito pela antropóloga Eliane Cantarino O’Dwyer (InEAC-INCT/UFF/UFPA/Conselho Científico – ABA) e publicado nesse dia 1 de fevereiro de 2021, no Blog CIÊNCIA E MATEMÁTICA do site do O Globo. 

 

Agronegócios, desmatamentos e povos tradicionais no Baixo Amazonas

Eliane Cantarino O’Dwyer

 

Os ventos de mudança soprados de fora das comunidades tradicionais amazônicas, nas duas últimas décadas, têm gerado um neoextrativismo hegemônico promovido por interesses capitalistas associados às políticas públicas desenvolvimentistas implementadas pelo Estado brasileiro. As grandes obras de infraestrutura, com a abertura de rodovias, construção de hidrelétricas, hidrovias e portos vêm acompanhadas de uma expansão sem precedentes dos agronegócios sobre as terras tradicionalmente ocupadas por povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e demais categorias de povos tradicionais. Os desmatamentos para o cultivo de grandes extensões de grãos, sobretudo soja, têm transformado de modo crescente biomas florestais, utilizados como áreas de extrativismo tradicional - caça, pesca, coleta e agricultura familiar - em uma paisagem homogênea e monocromática ao suprimir a biodiversidade caraterística e impedir a reprodução de modos próprios de fazer, criar e viver.

 

Tais mudanças, no contexto regional do Baixo Amazonas, têm convergido para o município de Santarém, Pará, mediante intensos conflitos territoriais e ambientais. A disputa entre interesses econômicos empresariais dos agronegócios, representados pelo Sindicato Rural de Santarém (SIRSAN) e alinhados politicamente à “bancada ruralista” (Frente Parlamentar da Agropecuária – FPA) no Congresso Nacional, através de membros do legislativo e do executivo local, têm confrontado movimentos indígenas, quilombolas, pescadores artesanais, trabalhadores rurais e organizações não governamentais, por meio de acusações públicas, ocorrências policiais e contestações judiciais.

 

Os impactos ambientais e sociais desse modelo neocolonial de monocultivo exportador são minimizados por uma perspectiva desenvolvimentista prevalente aos círculos de poder, segundo a qual o sofrimento infringido ao outro só tem sido considerado condenável quando gratuito, mas justificável quando está relacionado a um objetivo – desenvolvimentista neste caso - que se crê fonte de salvação da economia, da política e do Estado Nação.

A frente de expansão dos agronegócios voltada para a produção em larga escala de soja segue o traçado da BR 163 Cuiabá-Santarém, atraindo empreendimentos do centro-oeste motivados pelo estoque de terras disponíveis a preços reduzidos e do baixo custo de transporte fluvial pelo porto da Cargill, instalado em 2003. As obras de infraestrutura da BR 163 avançaram ainda mais com a pavimentação do trecho Moraes Almeida e Novo Progresso (PA), realizada pelo 8º Batalhão de Engenheira e Construção do Exército (8º BEC), concluído em novembro de 2019, e considerado a última etapa para integrar os estados de Mato Grosso e Pará.

 

Apenas três meses antes da conclusão desse asfaltamento, fazendeiros, madeireiros e empresários de Novo Progresso foram acusados de promover o chamado “Dia do Fogo”, em 10 de agosto, de acordo com investigações das polícias Civil, Federal e do Ministério Público. A mídia nacional e internacional relata a deflagração de queimadas em larga escala na região amazônica. Nessa ocasião, a Procuradora Geral da República considerou o fato de “haver indícios de uma ação orquestrada para incendiar pontos da floresta”

 

A expansão da soja no planalto santareno acompanha igualmente o traçado da rodovia PA-370 (Santarém-Curuá-Una), paralela à BR 163 e ao Lago do Maicá, este último considerado estratégico pelo plano diretor do município de Santarém. O aumento dos conflitos de terra nessa área do planalto tem sido protagonizados por comunidades ribeirinhas, indígenas e quilombolas, como nos casos dos Munduruku do Planalto Santareno e das comunidades quilombolas do Ituqui diante das ameaças aos seus territórios de ocupação tradicional. 

As pesquisas etnográficas recentemente realizadas junto às comunidades de quilombo nesse contexto regional (2017-2020) têm se deparado com uma “arena pública” em confronto entre as razões de Estado (desenvolvimentistas), associadas aos interesses de empreendimentos dos agronegócios e unilateralmente impostas sem o consentimento de povos e comunidades tradicionais afetados pelos impactos ambientais. As manifestações contrárias têm sido registradas mediante Protocolos de Consulta utilizados como estratégia de resistência, organizadas pelas associações indígenas, quilombolas, Colônia de Pescadores Z-20, Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Santarém, Pará (STTR), além de audiências públicas com a participação da sociedade civil sobre a questão da ameaça à existência tradicional dessas comunidades representada pelo projeto de construção do complexo portuário no Maicá para escoamento da soja.

 

Os impactos ambientais e os desmatamentos provocados pelo avanço dos monocultivos sobre biomas florestais produzem alterações não apenas de efeitos paisagísticos, pois tais paisagens são culturalmente produzidas por povos tradicionais na ocupação dessas áreas florestais e representam igualmente bens irredutivelmente sociais. Assim, o risco de entropia atinge os recursos florestais e aquíferos renováveis, mas também a existência social de povos tradicionais pela ameaça da perda de conhecimentos ou tradições culturais.

 

As recentes afirmações de que a soja brasileira não tem relação com os desmatamentos, como divulgado nos meios de comunicação, revela desconhecimento das realidades localizadas e a intenção de filtrar informações comprovadas por dados de satélite e evidências etnográficas.

 

O negacionismo quanto aos desmatamentos está amparado na desregulação da legislação ambiental, como estabelecida na reunião ministerial de 22/04/2020, na qual o ministro do Meio Ambiente, ao citar inclusive as obras na BR 163, propõe “ir passando a boiada, ir mudando todo o regramento, ir simplificando normas”.

 

No contexto regional do Baixo Amazonas, as incertezas e dúvidas sobre a isenção do Estado no espaço ocupado entre a lei e sua aplicação, convergem para áreas de atuação de empreendimentos capitalistas relacionados principalmente à exploração dos agronegócios, extração madeireira em terras protegidas, criação de gado em áreas de desmatamento ilegal e empreendimentos de mineração. Tais interesses econômicos têm intensificado sua atuação no nível político local mediante financiamento de campanhas eleitorais para prefeituras e câmaras municipais, consolidando assim as bases para um novo tipo de “coronelismo, enxada e voto”.

 

A política desenvolvimentista aliada à desregulação ambiental, atualmente defendida pelo Estado brasileiro, é orientada pelas denominadas razões de Estado e, deste modo, não pode ser vista como moralmente neutra, ao assumir como próprias às razões de empresários e políticos influentes sem levar em conta normas estabelecidas democraticamente e valores culturais legalmente reconhecidos.

 

Eliane Cantarino O’Dwyer (InEAC-INCT/UFF/UFPA/Conselho Científico – ABA)

 

https://blogs.oglobo.globo.com/ciencia-matematica/post/agronegocios-desmatamentos-e-povos-tradicionais-no-baixo-amazonas.html?GLBID=181ad7d5248fe9f7dbdfdd5018aaf1ab76c314c355937646d78427052477439523773496844357949343245453066717a6e706c5956564b6d35716a7047575a77464f5175754e645a453638474a69434d6775624177735361754f6a7a62475f617941714851673d3d3a303a726b616e7462722e726f626572746f2e32303132

 

 

A partir das 7h da manhã desta quarta (20/1/21), o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o antropólogo Carlos Abraão Moura(INCT/INEAC), professor da UFF-Campos. Ele analisará os primeiros dias do governo Wladimir Garotinho (PSD) em Campos e o combate à pandemia da Covid-19 no Brasil de Jair Messias Bolsonaro (sem partido).

O antropólogo falará também sobre a invasão do Congresso dos EUA no último dia 6, que dará posse às 13h30 (horário de Brasília) desta quarta a Joe Biden como 47º presidente dos EUA. E a Kamala Harris como primeira mulher, primeira negra e primeira descendente de asiáticos e caribenhos a ser vice-presidente do país. Isso em uma Washington sitiada por 25 mil soldados da Guarda Nacional.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quarta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Carlos Abraão Moura Valpassos é professor adjunto no Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal Fluminense (UFF) no Instituto de Ciências da Sociedade e Desenvolvimento Regional - Campos dos Goytacazes. É bacharel em Ciências Sociais pela Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (2004), Mestre em Antropologia (2006) pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal Fluminense (PPGA-UFF) e Doutor em Sociologia e Antropologia pelo PPGSA/IFCS/UFRJ (2011). Coordena o Atelier de Etnografias e Narrativas Antropolíticas (ATENA) e é pesquisador do INCT-InEAC. Dedica-se ao estudo de controvérsias públicas, dramas sociais e questões relacionadas a rituais e simbolismo.

Em memoração ao 21 de janeiro, dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, ocorrerão várias atividades e eventos onlines. A antropóloga Ana Paula Mendes de Miranda, pesquisadora vinculada ao INCT-INEAC, participará do Primeiro Encontro da Frente Parlamentar pela Liberdade Religiosa Estado Laico com a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa .

Confira abaixo mais informações sobre o conjunto das atividades

1) Evento: IV Seminário sobre Liberdade Religiosa, Democracia e Direitos Humanos*

Mesa 1(9h às 10h:30) Política, Religiões e Democracia

Mesa 2(11h às 12h30) Religiões no Campos do Diretos

Mesa 3( 14h às 15h30): Religiões nos meios de Comunicação

Mesa 4 (16h às 17h30) Estado Laico e Liberdades

Transmissão:
You tube CCJF:youtube.com/c/CentroCulturalJustiçaFederal
You tube CEAP: www.youtube.com/c/CEAPOFICIAL
Facebook CEAP: https://www.facebook.com/ceap.rj

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2) Evento : Celebração inter-religiosa do Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa

Horário às 11h30
Transmissão:facebook.comCaminhadaemDefesadaLiberdadeReligiosa
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3) Evento: Primeiro Encontro da Frente Parlamentar pela Liberdade Religiosa Estado Laico com a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa
Horário: às 14h
Transmissão: facebook.com/reimont13
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4) Mesa: Intolerância Religiosa e Responsabilidade dos meios de Comunicação
Horário: 18h
Transmissão: facebook.com/CaminhadaemDefesadaLiberdadeReligiosa
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5) Evento :Lançamento do Livro História Social da Intolerância Religiosa no Brasil
Horário : às 20h
Transmissão:facebook.com/babalawoivanirdossantos


Organização: CCIR, CEAP em parceria com CCJF, Editora Kline, LHER, ERARIR

 

 

O Fórum iBRASJUS sobre segurança, defesa e Justiça promove amanhã, dia 20 de janeiro (2021), quarta-feira, às 20:00h, o evento online JORGE DA SILVA – UM POLICIAL CAVALEIRO DA DEMOCRACIA , com as participações de Roberto Kant de Lima (INCT-INEAC); Jacqueline Muniz (INCT-INEAC); Julio Cesar Costa (PMES); Ubiratan Ângelo (PMERJ); e mediação de José Vicente da Silva Filho (IBRAJUS).

Importante protagonista na construção do diálogo institucional que possibilitou avançarem as pesquisas/ensino no campo da Segurança Pública no Brasil, em especial no estado do Rio de Janeiro, Jorge da Silva, falecido no último dia 15 de dezembro de 2020,  foi professor doutor da Uerj e ex-chefe do Estado Maior da PM, ex secretário de Estado de Direitos Humanos; professor convidado do Curso de Especialização em Políticas Públicas de Justiça Criminal e Segurança Pública (Proppi / INCT-INEAC / UFF) e um interlocutor importante do INCT-INEAC.

A transmissão para os internautas será pelo Canal do iBRASJUS no YouTube, através do link https://youtu.be/5h9pke1HLq0

 

 

 

 

Disponibilizamos aqui no site do INCT-INEAC o link para acessar  "Fumaça", uma produção audiovisual do IRIS, dirigida por Daniel Simião e Yuri Corteletti, sobre a intersecção entre ritual e política na "Marcha da Maconha" de 2014, em Brasília, importante mobilização pela descriminalização da maconha. 
Para assistir basta acessar o link https://vimeo.com/canaliris/fumaca para ver o documentário.

Daniel Simião é Doutor em Antropologia Social pela Universidade de Brasília e mestre em Antropologia Social pela UNICAMP, é atualmente professor adjunto do Departamento de Antropologia da Universidade de Brasília (UnB), onde atua na graduação em ciências sociais e no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social. Realiza pesquisas nas áreas de antropologia urbana, gênero, antrpologia do direito e da política, possuindo diversos artigos publicados nas áreas, uma coletânea organizada, além de diversos capítulos de livros no Brasil e no exterior. Integra o Instituto de Estudos Comparados em Administração Institucional de Conflitos (INCT/InEAC) e mantém colaboraão com o Núcleo de Estudos de Populações Tradicionais e Quilombolas (NuQ) da Universidade Federal de Minas Gerais.

Yuri Corteletti - Departamento de Antropologia da Universidade de Brasília.

 

"PMs - A sina dos algozes-vítimas", esse é o título do último livro do professor Jorge Da Silva, onde ele chama a atenção para o fato de que, na luta contra a criminalidade, os PMs, normalmente acusados de violações aos direitos humanos, são vítimas da forma como é concebido o seu emprego. Vítimas não só de bandidos, mas, sobretudo, do próprio sistema do qual fazem parte, empurrados que são por bravatas irresponsáveis de autoridades a que se lancem numa guerra sem fim, cujo objetivo ninguém conhece. O livro foi lançado pela editora Altadena - https://altadena.loja2.com.br/9679488-01-A-SINA-DOS-ALGOZES-VITMAS-frete-gratis-

Jorge da Silva, falecido em 15 de dezembro de 2020,  era professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e professor conteudista do curso em EAD de Tecnólogo em Segurança Pública da Universidade Federal Fluminense (UFF). Quando serviu à Polícia Militar, exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral e foi, ainda, secretário de Estado de Direitos Humanos do Rio de Janeiro.

É também autor dos livros "Guia de luta contra a intolerância religiosa e o racismo" (Ceap / Seppir, 2009), "120 anos de abolição" (Hama, 2008), "Criminologia crítica: segurança e polícia" (Forense, 2008), "Direitos civis e relações raciais no Brasil" (Luam, 1994) e "Controle da criminalidade e segurança pública" (Forense, 1990).

Jorge da Silva foi também professor convidado do Curso de Especialização em Políticas Públicas de Justiça Criminal e Segurança Pública (Proppi / INCT-INEAC / UFF).

Nessa terça, dia 5 de janeiro de 2021, o sociólogo Rodrigo Ghiringhelli de Azevedo, professor titular da Escola de Direito da PUCRS, pesquisador do INCT-InEAC e bolsista em produtividade em pesquisa do CNPq, realizará a live "

Bolsonarismo e segurança pública – o discurso fake contra o crime" . A transmissão acontece às 17h pelo facebook. Confira o endereço no cartaz do evento.

 

A edição de dezembro de 2020 da revista argentina Cuestiones Criminales traz entre os seus destaques o antropólogo e coordenador do INCT/INEAC Roberto Kant de Lima, com a tradução de um capítulo da etnografia do seu livro "A polícia da cidade do Rio de Janeiro: seus dilemas e paradoxos" e também a antropóloga Lucia Eilbaum, com um artigo de apresentação e uma homenagem ao trabalho de Roberto Kant.

Para conferir acesse o endereço: https://www.lesyc.com/cuestionescriminales

 

 

 

 

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