Participação política evangélica não pode ser parâmetro para ação afrorreligiosa

04 | 09 | 2026

Tentar entender a política dos povos de terreiro usando a régua da experiência evangélica não funciona. Em artigo no portal Axenews, a antropóloga Ana Paula Miranda, do INCT-InEAC, afirma que esse paralelo esconde e ignora as formas únicas de mobilização e expressão política das religiões de matriz africana.

Na foto, a antropóloga Ana Paula Miranda, que desenvolve o conceito de política de terreiros para compreender como essas comunidades fazem política. Crédito: Reprodução/Instagram

O levantamento do seu grupo de pesquisa, o Ginga-UFF, registrou 284 candidaturas de matriz africana em 2024, equivalendo a meros 3,3% dos 8.731 políticos com identidade religiosa na urna — bloco majoritariamente composto por evangélicos (8.290) e católicos (157).

Conforme aponta a pesquisadora, o racismo religioso gera um ambiente de hostilidade e violência que coage muitos candidatos a ocultarem sua filiação espiritual na campanha.

Diante desse ambiente hostil, Miranda sugere que, em vez de perguntar em quem votam os povos de terreiro, o mais importante é direcionar o olhar para como fazem política.

“A política de terreiros não nasce nas eleições: chega a esse espaço trazendo uma longa história de resistência, reivindicação de direitos e combate ao racismo religioso”, conclui a pesquisadora.

Acesse o artigo completo em: https://www.axenews.com.br/post/quando-falamos-em-voto-religioso-a-qual-religi%C3%A3o-nos-referimos

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